0001:4 Jimena pide justicia (á)

Passou pela minha porta,   às minhas terras foi caçar.
2 Matou-me as minhas pombinhas   que eu tenho no meu pomar.
Matou-mas uma por uma,   juntou-mas de par em par;
4 matara-me as mais bonitas   para mais pena me dar.
Fui eu ter com el-rei,   que mas mandasse pagar.
6 El-rei, por eu ser mulher,   não me quis escutar.
El-rei que não faz justiça   não devia governar
8 nem comer pão do Alentejo,   nem com a rainha falar*.
Desta sorte se castiga   a quem não sabe reinar.

Nota: -8b: *advierte Fontes: «Como demonstra a tradição antiga, «falar» constitui um eufemismo ou corrupção de «folgar» (fornicar): «Rey que no face justicia / non debia de reinar, // ni cabalgar en caballo, / ni con la reina holgar» (Primav. 30)» [=nuestra entrada 1430].

18 hemistiquios.

Versión de Portugal.

Título original: AS QUEIXAS DE XIMENA (Á)

Documentada en:

Recogida por Theóphilo Braga, antes de 1907. (Colec.: Braga, T.). Publicada en Camacho 1964 453 y RGP I-III facs [1982-1985], II, 249 Reeditada en Costa Fontes 1997b, Índice Temático (©HSA: HSMS), p. 59, A6 y Romanceiro Português da Tradição Oral Moderna. Versões Publicadas entre 1828 e 1960 (2000), vol. 1, nº 1, p. 131.

Notas:

Nota de Ferré [Romanceiro Português da Tradição Oral Moderna, 2000]: Camacho recolheu esta versão no dia 30 de Junho de 1905.

Indices de referencia:

IGR: 0001:4

SP: Ficha nº 2600

SGA: A3